No roteiro de um vídeo UGC, a ordem das partes não é opcional. Hook, problema, solução e CTA: cortar qualquer uma dessas peças, ou trocá-las de lugar, faz o anúncio perder o espectador antes de dizer o que importa. O roteiro decide o resultado muito antes das imagens entrarem.
Isso parece óbvio mas não é o que a maioria das marcas faz. O tempo de produção vai para a câmera, a luz e o ângulo. O roteiro fica para a última hora ou é deixado para o criador resolver na hora da gravação. O resultado aparece nos números: anúncios com visual caprichado mas texto desorganizado morrem nos primeiros segundos de exibição.
O que decide se um vídeo UGC converte
O roteiro. Não a câmera, não a resolução, não o fundo. Um vídeo filmado com celular num ambiente neutro, com roteiro afiado, supera um vídeo profissional com script confuso.
A produção importa para credibilidade, não para conversão. Credibilidade é "o produto parece real e profissional". Conversão é "a mensagem chegou na sequência certa para a pessoa certa no momento certo". São coisas diferentes, e a segunda depende do roteiro.
Os quatro blocos que formam o roteiro UGC
Hook (0 a 3 segundos). O único objetivo é fazer o espectador decidir ficar. Não apresentar o produto, não explicar o benefício: apenas interromper a rolagem. Se o hook falha, os outros três blocos não existem para aquele espectador.
Problema (3 a 10 segundos). Nomeie a dor no idioma do espectador, não no idioma da marca. A diferença é: "pele ressecada que mancha o rímel até o meio-dia" em vez de "pele com baixa hidratação cutânea". Quanto mais exata a descrição da dor, mais o espectador sente que o criador está falando diretamente com ele.
Solução (10 a 20 segundos). Apresente o produto pelo resultado que ele entrega, não pelas funcionalidades. "Em três dias a pele segurou a hidratação até à noite" é solução. "Fórmula com ácido hialurônico de tripla ação" é feature. O espectador compra o resultado, não a formulação.
CTA (últimos 3 a 5 segundos). Uma ação. Específica e sem atrito. "Clica no link e testa por 7 dias" diz o que fazer, o que esperar e quanto custa de risco. "Conheça mais" não diz nada disso.
Como escrever o hook que funciona
Três padrões respondem pela maioria dos hooks que convertem em anúncios UGC:
Curiosidade com promessa específica. O espectador não sabe a resposta e quer saber. Exemplo: "Isso resolveu minha pele oleosa em menos de uma semana, e eu não esperava o motivo." Funciona porque a promessa é específica (uma semana, pele oleosa) e abre uma pergunta que o vídeo vai fechar.
Afirmação que contraria o esperado. O espectador ouve algo que vai de encontro ao que ele assumia. Exemplo: "Eu gastei R$300 num sérum importado antes de descobrir que esse de R$49 funcionava melhor." Cria dissonância, e dissonância prende atenção.
Cenário identificável. O espectador se reconhece na situação antes de qualquer produto aparecer. Exemplo: "Quando o gloss some antes de você chegar ao trabalho, você para de usar ou começa a procurar outro." Quem tem esse problema sente que o criador sabe exatamente a vida dele.
O que evitar: começar com "Oi, pessoal!", apresentar o produto no primeiro segundo, ou explicar quem é o criador antes de mostrar que tem algo relevante a dizer. Esses três padrões sinalizam ao espectador que um anúncio está começando, e a reação imediata é rolar para o próximo.
Problema e solução: a parte do meio que ninguém ensaia
A maioria das marcas capricha no hook e abandona o espectador no bloco do problema. O erro mais comum: nomear o problema de forma genérica. "Quem tem pele seca sabe como é difícil" não faz ninguém pausar. "Pele seca que descama na bochecha até quando você bebe dois litros de água por dia" faz alguém pensar "como você sabe?".
A solução deve entrar como consequência natural do problema descrito, não como uma transição forçada. "Aí descobri o [Produto]" após descrever a dor específica funciona. "É aí que o [Produto] entra" é uma transição de anúncio: todo mundo sabe que está vendo um comercial.
Uma técnica que funciona: deixar o resultado aparecer antes do produto. "Acordei com a pele hidratada pela primeira vez em meses, aí fui ver o que tinha mudado na minha rotina." O produto chega como resposta a uma pergunta que o espectador já está fazendo.
CTA: uma frase, uma ação, sem ambiguidade
O CTA fraco tem duas formas: genérico ("Acesse nosso site") ou com atrito alto ("Preencha o formulário para saber mais"). O CTA forte tem três características: nomeia a ação exata, reduz o risco percebido e faz a transição natural do vídeo.
Exemplos que funcionam para diferentes situações:
- •Produto com trial: "Clica no link e testa por 7 dias antes de decidir."
- •E-commerce direto: "Clica no link da bio, chega em 2 dias."
- •Produto de ticket maior: "Clica e vê o antes e depois de quem já usou."
O CTA do anúncio Meta é diferente do CTA de um Reels orgânico. No anúncio pago, o link está na própria tela ou no botão abaixo do vídeo, então o criador pode ser direto: "Clica no botão aqui embaixo." No orgânico, a instrução precisa navegar o espectador para a bio ou para o DM.
Exemplo completo: roteiro de 20 segundos para skincare

Hook (0-3s): "Eu joguei fora R$200 em hidratante antes de entender por que minha pele ressecava até de tarde."
Problema (3-10s): "Botava creme de manhã, sentia a pele hidratada, e até meio-dia já estava puxando de novo. Tentei creme mais grosso, óleo, camadas. Só piorava."
Solução (10-17s): "Aí mudei o único produto que eu não tinha testado ainda: o sérum antes do hidratante. Em três dias a pele ficou hidratada o dia todo. Esse aqui."
CTA (17-20s): "Clica no link, tem frete grátis e você testa em sete dias."
Esse roteiro tem 96 palavras e cabe em 20 segundos em ritmo de conversa normal. Funciona em 9:16 para Reels, TikTok e Shorts. Para anúncios no Meta Ads, o mesmo roteiro pode rodar com três hooks diferentes testando qual para mais o scroll.
Por que testar mais de um hook para o mesmo roteiro
Depois de ter um roteiro com problema e solução funcionando, o trabalho de otimização vai todo para o hook. A prática de quem trabalha com volume de criativos é manter o corpo do vídeo igual e rodar três a cinco hooks diferentes para o mesmo produto, porque pequenas variações no hook produzem variações grandes no resultado.
A Konv gera vídeos UGC em 9:16 com voz em PT-BR natural, importando o produto direto do link da Shopify, Nuvemshop ou Mercado Livre. Você escreve o roteiro uma vez e gera variações para testar diferentes hooks sem precisar regravar. No Starter (R$197/mês), 125 créditos rendem de 4 a 13 vídeos por mês dependendo do motor e da duração. Os custos por configuração estão em konvlabs.com/pricing.md.
O teste de 7 dias por R$47 inclui 30 créditos e o valor desconta na primeira mensalidade se você assinar.
Perguntas frequentes
Quantas palavras tem um roteiro UGC de 30 segundos?
Um roteiro de 30 segundos em ritmo de conversa natural tem entre 75 e 90 palavras. Em 15 segundos, entre 35 e 45 palavras. A referência prática é 2,5 a 3 palavras por segundo para soar como conversa, não como leitura acelerada.
Quem escreve o roteiro do UGC: o criador ou a marca?
Os dois modelos funcionam. A marca escrever o roteiro garante que os pontos de diferenciação do produto apareçam de forma correta. O criador adaptar na hora da gravação garante naturalidade. O meio-termo mais eficiente é a marca escrever o esqueleto (hook, problema, solução, CTA) e o criador preencher com a voz dele. Para UGC gerado por IA, o roteiro entra como input e a voz sintética entrega o resultado sem variação de interpretação.
Preciso de criador humano ou posso usar IA para gravar o roteiro?
Depende do objetivo. Criador humano carrega prova social real: alguém escolheu o produto e está mostrando. IA permite volume e variação sem custo de produção por vídeo, o que viabiliza testar muitos hooks e formatos. Para marcas que precisam de volume de criativo em português brasileiro, a IA resolve o gargalo de produção enquanto criadores humanos ficam para os conteúdos de maior credibilidade. Comparação completa de custo e casos de uso em UGC com IA vs criador humano.
O roteiro UGC para TikTok é diferente do para Meta?
A estrutura é a mesma (hook, problema, solução, CTA), mas o ritmo muda. No TikTok, o corte precisa ser mais rápido nos primeiros segundos e a linguagem mais informal. No Meta, especialmente no Feed, há um pouco mais de tolerância para o hook ser um segundo mais longo. O CTA também muda: no TikTok o link está na bio, no Meta o botão aparece abaixo do anúncio.
Qual é o erro mais comum em roteiros de UGC para e-commerce?
Começar pela marca ou pelo produto antes de estabelecer um problema que o espectador reconhece. A sequência que não funciona é: "Oi, sou a [Nome], e hoje vou apresentar o [Produto] da [Marca]." Ninguém que estava rolando o feed para para ouvir isso. A sequência que funciona começa pelo problema do espectador, não pela identidade do criador ou do produto.

